quarta-feira, 25 de maio de 2016

"Meu caro Barão"

Em breve teremos mais um dia daqueles que entrará para curta História do Brasil, o fim do processo de impeachment da Presidenta Dilma, e que será interpretado de várias formas. Porém para muitos "Bestializados" ou "Bilontras", expressão usada no Capítulo V, na obra do Historiador José Murilo de Carvalho, para qualificar a participação da população brasileira em relação à Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o fim deste processo será apenas mais um dia, ou mais um episódio que enxertará as páginas dos livros Didáticos de forma errônea, de forma brincante sobre a História deste país! Como consequência a disciplina de História que teria a função de oferecer conscientização política a população, se torna a matéria mais odiada, chata e traumática para crianças, jovens e adultos, pois a leitura nessa ferramenta parcial, com informações na maioria das vezes distorcidas junto com o descaso de alguns professores serve apenas para agravar ainda mais o desinteresse sobre as realidades históricas do próprio país. 

Mas o que muitos não sabem é que, segundo Platão: "Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam". Assim, teremos sempre representantes políticos como Paulo Salim Maluf, José Sarney, Tiririca, Romário, Família Bolsonaro, Família Picciani, Fernando Collor, FHC, Aécio Neves entre outros homens bons. Por conseguinte, disseminarei o desrespeito com a Democracia e o breve período que um governo tentou amenizar o abismo social aos meus alunos, futuros alunos, filho, futuro filhos e netos. 

O Brasil, que sempre possuiu uma sociedade extremamente machista e Patriarcal, gozou de um breve período político em que, um tabu foi quebrado, onde foi eleita pela primeira vez nesta curta História para um cargo de extrema importância política, que sempre fora ocupado por "hOMENS", uma "MULHER" para governar esse País(Brasil)! Porém, terei que delatar, que a mesma, foi usurpada do poder por políticos traidores e vendidos, sob o préstimo de Deputados Federais(contas na Suíça) e Senadores(traficantes de drogas, exploração de trabalho escravo em seus latifúndios, fanáticos religiosos e entre outros). Com isso, como esta MULHER conseguiu aguentar a tortura ideológica de partidos políticos e de uma mídia parcial, com a mesma bravura que enfrentou à "Ditadura Militar"(tortura física, sexual e moral)? Logo, pergunto: - existiram e existem erros? Sim. Ficaria uma eternidade relatando os equívocos políticos! Porém, segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, esses erros e equívocos, em um país que não se brinca com a política, jamais seriam responsáveis por promover o impeachment(impedimento) da Presidenta eleita pelo povo, Dilma Rousseff. 

Mas o que poucos sabem, é que antes dessa "devassa política", não havia personagens políticos com culhões para assumir o país (Brasil), em 2003. Assim, a mesma mídia e partidos políticos que hoje promovem o Impeachment da Presidenta Dilma, jogaram o Lula aos leões e apostaram entre eles, que seriam quatro anos de fracasso, onde a Regina Duarte, a famosa namoradinha do Brasil(título criado pela Rede Globo) deixou explícito em vários veículos de comunicação o seu descontentamento com o Presidente eleito(Lula). Porém, os dois mandatos do ex-Presidente promoveu grandes melhorias na sociedade brasileira, o que acabara promovendo o êxito na candidatura da Presidenta Dilma Rousseff, dando o direito a mesma, de forma legal, dois mandatos presidenciais. Logo, após a derrota do candidato do PSDB, Aécio Neves, ficou explícito que continuar no poder era algo inadmissível para uma minoria abastada(elite do país) e para uma mídia que sempre fez dos presidentes do Brasil suas marionetes. 

Logo, apropriei-me do título da obra do autor Gilberto Freyre para nomear o Brasil de "Casa-Grande & Senzala". Assim, utilizando o conceito Patriarcal para a sociedade brasileira parafraseando com a obra supracitada, como pode um indivíduo sair da "Senzala"(sociedade dos comuns), um nordestino, um despossuído, um analfabeto, torneiro mecânico, conseguir se transformar em Presidente do Brasil?? Ou seja, como se tornou o Patriarca dessa Casa Grande e Senzala(Brasil)?? Entretanto, assim como o Barão de Mauá sofrera represálias e perseguições por tentar desenvolver o Brasil na época do Império de D. Pedro II, o ex-Presidente Lula e a Presidente Dilma, sofrem no Brasil atual a mesma perseguição(salvo o anacronismo) pois os mesmos, não podem ser mais notáveis que os Barões que sempre governaram essa Casa-Grande & Senzala(Brasil)! 

Os Barões(empresários, banqueiros e latifundiários) não suportaram a ideia de veem uma população pobre ocupar as vagas de seus filhos em universidades federais. Os Barões não suportaram a ideia de veem o número satisfatório de universidades criadas em treze anos de governo, o que nunca foi construído em quinhentos na História deste país. Os Barões não suportaram a ideia de veem empregadas domésticas terem direitos trabalhistas, já que, às mesmas se tornaram custosas e transformaram-se em sinônimos de ações trabalhistas. Os Barões não suportaram a ideia de veem 40% de negros e afrodescendentes saírem da "Senzala"(a margem do poder público) para adentrar, e dividir as salas de aula das principais universidades do país com seus herdeiros. Os Barões não suportaram a ideia de veem aeroportos transformando-se na Central do Brasil em "rush hours". Os Barões não suportaram a ideia de veem despossuídos trocando mulas(transporte coletivos) por automóveis. Os Barões não suportaram a ideia de veem pobres deixando de serem analfabetos para  terem acesso à informação.

(...)Onde quer que esteja
Meu caro Barão
São Brás o proteja
Santo dos ladrão(...)

A música de Chico Buarque "Meu caro Barão" no disco "Os Saltimbancos Trapalhões, 1981" foi uma forma trapalhada para burlar a censura da Ditadura Militar, como também uma forma genial de criticar essa aristocracia que sempre dominou o Brasil! Porém desde 2003 que os Barões estão sofrendo com o fato de não terem mais o poder em suas mãos, como na estrofe abaixo:

(...)Pra rodar com a gente
Pra fazer serão
Pra ficar contente
Comer macarrão
Pra pregar sarrafo
Pra lavar leão
Pra datilografo
Bilheteiro NÃO(os saltimbancos não aceitam mais que o Barão controle o poder)
Pra fazer faxina
Nesse caminhão
Cuidar da maquina
E não ser mais Barão(...)

Com isso, os Barões não suportaram a ideia de veem empregados se transformarem em donos dos seus próprios negócios. Logo, os Barões precisam reorganizar a Casa-Grande(Brasil) como na época da Colônia, do Império, da República da Espada, da República do Café com Leite, da Era Vargas, da Ditadura Militar, do Collor e do FHC. Ou seja épocas em que não havia direitos sociais, políticos e econômicos! Pois só assim,  a Casa Grande voltará a ter uma Senzala satisfatória aos olhos dos Barões, para que aquela possa fornecer mão de obra barata, pessoas desinformadas e assim atenderem seus interesses e os de suas futuras gerações.

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CARVALHO, José Murilo, Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi

CARVALHO, José Murilo, A Formação das Almas

FAUSTO, Boris, História Concisa do Brasil

FREYRE, Gilberto, Casa-Grande & Senzala

Saltimbancos Trapalhões 1981, Universal Music Brasil



quarta-feira, 4 de maio de 2016

Escravidão + Cana de açúcar = Brasil

Sobre fato da Presidente ter escolhido a bi-campeã olímpica Fabiana para levantar a tocha Olímpica, mesmo estando num momento político conturbado, foi de extrema felicidade, vale ressaltar que estamos no mês em que foi assinado a Lei Áurea! Mesmo entendendo as suas falhas, como todas as Leis possuem, tomei a liberdade de escrever sobre a importância do Negro no Brasil e a sua importante participação numa das primeiras atividades comerciais nessas terras!

O Brasil, nasce em 1531, através do cruzamento entre negros trazidos da África e do extremo interesse de Portugal em  instalar a lucrativa produção de cana de açúcar nessas terras achadas, em 1500. Logo, sobre o açúcar, observa com muita propriedade o historiador madeirense Alberto Vieira: "A cana de açúcar é de todas as plantas domesticadas pelo Homem a que mais implicações teve na História da Humanidade. [...] A chegada ao Atlântico, no século XV provocou o maior fenômeno migratório que foi a escravatura de milhões de africanos e teve repercussões e interferências evidentes na cultura literária, musical e  religiosa!

A escravidão existe desde os tempos bíblicos, descritos no livro do Gênesis, os vencidos eram transformados em escravos, em troca de suas vidas. Assim, essa atividade era vista como um gesto “humanitário”, chegando a fazer parte de todos os grandes códigos da Antiguidade, como o de Hamurabi, com especial enfoque no Direito Romano e nas Ordenações do Reino, que serviram de norma escrita ao mundo português até o século XIX.

No mundo português ela surge a partir de 1441, depois que Antão Gonçalves e Nunes Tristão capturaram os azenegues(etnias africanas) do Rio do Ouro, a serviço do Infante D. Henrique de Portugal. A partir de então, as expedições portuguesas e espanholas transformaram-se em verdadeiras empresas, com objetivo de incrementar o comércio escravo, fixando na Costa da África várias feitorias(locais aonde comerciantes europeus e chefes tribais africanos realizavam o comércio entre produtos manufaturados por seres humanos) especialmente na região do Cabo Branco, estabelecendo-se posteriormente na ilha de Arguim (1448) e no Senegal (1460), com a finalidade de adquirir prisioneiros de tribos africanas, para transformá-los em escravos.
Segundo Vitorino Magalhães Godinho,  citado por José Ramos Tinhorão, foram importados como escravos berberes(povo nômade do Norte da África que existe até os dias atuais) árabes e negros africanos, entre 1448 e 1505, de 136.000 a 151.000 indivíduos. Em que, seriam escravos destinados aos serviços domésticos. Porém, essa volumosa quantidade de braços  foi organizada e também utilizada no lucrativo negócio da cana de açúcar nas ilhas da Madeira(Local em que nasceu o craque português Cristiano Ronaldo, (CR7) Açores e Cabo Verde.

Na América, a escravidão foi introduzida pelos espanhóis com os descobrimentos, a partir de 1492, com Cristóvão Colombo. Já no Brasil, se comprova a existência de escravos a partir de 1531, na Capitania de São Vicente(Rio de Janeiro), e em Pernambuco, em carta escrita em 1539, dirigida ao rei D. João III, onde donatário Duarte Coelho Pereira solicita autorização para a importação direta da costa da Guiné de 24 negros, a cada ano, quantidade que seria aumentada por D. Catarina, em 1559, para 120 negros, mediante o pagamento de uma taxa reduzida, por conseguinte, nada impedia que outros negros chegassem ao Brasil de forma ilegal, ou seja, traficados sem a autorização do Rei.

Os escravos eram todos vistos como mouros e por isso, eram “infiéis”, para os quais o Papa Eugênio IV autorizou o “direito” de cativar. Assim, a Igreja justificava através de seus teólogos, que sobre os africanos de todas as raças recaía o preceito bíblico que, descendendo de Cã estariam condenados à escravidão; como acentua o padre Manuel da Nóbrega: Nasceram com este destino “que lhes veio por maldição de seus avós, porque estes, cremos serem descendentes de Cã, filho de Noé, que descobriu as vergonhas de seu pai bêbado, e em maldição e por isso ficaram nus e têm outras mais misérias”. Em 1570, calculava-se que viviam no Brasil entre 2000 e 3000 negros trabalhando na lavoura da cana-de-açúcar. Com isso, o número de escravos cresceu absurdamente, em que, no final do século XVI, com a importação de 30.000 negros da Guiné para serem escravizados nas lavouras da Bahia e Pernambuco.

No apogeu da produção do açúcar, no século XVII, foram importados cerca de 500.000 negros, em sua maior parte antes de 1640. A escravidão do negro, na observação de Pedro Calmon, era só questão de começo: "Tudo era começar. Engenhos e tráfico. Canaviais e fabrico. Casas-grandes e escravidão. A partir dessa época [séc. XVI], muitos amadores se especializaram no negócio, as águas da Guiné e Angola se encheram de barcos tumbeiros(embarcações que transportavam os negros) e o Brasil gozou da quantidade de escravos que bem era conveniente. Ou seja, milhares ao ano. A escravidão dos negros africanos era algo tão importante para o padre Antônio Vieira que, em carta dirigida ao Marquês de Niza, datada de 12 de agosto de 1648, o mesmo chegara a afirmar: "Sem negros não há Pernambuco!" Parafraseando o padre: "Sem Negros não EXISTIRIA Brasil. Mas esse empreendimento não era algo exclusivo da Coroa Portuguesa e Espanhola nas Américas, e sim de toda Europa, que se entregara ao lucrativo comércio de escravos da Costa da África.

Logo, assim como devemos reconhecer a existência do Brasil aos negros trazidos da África, é preciso também continuar reparando as marcas pelos longos anos de escravidão após a independência, como também pelo abandono gerado pela Lei Áurea, que deixou os negros a margem dos direitos sociais, políticos e econômicos que refletem nos dias correntes, expostos pelo subemprego(analisar a quantidade de afrodescendentes que exercem). Por conseguinte, as religiões bíblicas que também por séculos de exploração e preconceito racial utilizou suas metáforas para escravizar boa parte do continente(África), e também disseminaram essas ideias nas Américas, devem reparar seus danos. Como toda grande nação européia com suas políticas imperialistas que, através da Partilha da África na segunda metade do século XIX, deixaram suas marcas bem explícitas nos países africanos até os dias atuais, também deveriam pagar suas dívidas!

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FAUSTO. Boris. História concisa do Brasil.

ALENCASTRO, Luís Felipe, Trato dos Viventes.

Filmografia: African Trade.