terça-feira, 7 de junho de 2016

Os (anti)heróis do Sertão!

Os representantes políticos e as mídias brasileiras só exaltam o Nordeste na época de celebrar o São João, conhecido também como "Santo festeiro”, nesse dia são realizadas muitas festas, conhecidas popularmente como "Festas Juninas", em que, acontecem comemorações marcadas por danças e pratos típicos. Outra época que o Nordeste entra na pauta dos brasileiros e estrangeiros são as férias de fim de ano, já que, a região supracitada, possui inúmeras praias paradisíacas! Com isso, o resto do ano a região nordestina e suas mazelas são esquecidas, ou é lembrada de forma sensacionalista para elevar a audiência  de programas dominicais ou fornecer dados para aumentar a impopularidade do político X ou Y.

Mas alguns nordestinos, através de suas atitudes, da literatura, das músicas, entre outras criações, empurraram goelas abaixo seus feitos, e assim fizeram parte da História do Brasil. Os mesmos romperam barreiras e quebraram as regras criadas pela oligarquia cafeeira e pela burguesia dos industriários e expuseram aos políticos e as outras Regiões do Brasil que o Nordeste existe. Logo, para corroborar essa ideia, Euclides da Cunha disse: o sertanejo(nordestino) É, antes de tudo, um FORTE!!! Assim percorrendo os caminhos da História do Brasil, cito Antônio Conselheiro, como primeiro personagem sertanejo a romper com o lema "ordem e progresso"(expressão positivista e elitista) líder religioso que utilizou o messianismo(movimento em que o líder religioso é um enviado de Deus na terra) para criar o povoado de Canudos, e combater os desgovernos(pobreza, cobrança de altos impostos, terras improdutivas, secas, fome, milhares de mortes e o mandonismo dos coronéis) Estadual e Federal. Porém, a desobediência do Conselheiro rendeu a Guerra de Canudos 1896-1897, onde os sertanejos lutaram bravamente contra o exército de Prudente de Morais(presidente do Brasil) resultando na morte do messiânico e na destruição da antiga fazenda. Outro personagem que promoveu constantes conflitos contra os coronéis e as forças policiais, e que ganhou manchetes dos tabloides nacionais e futuramente pouquíssimas páginas dos livros didáticos, foi Virgulino Ferreira da Silva(O Lampião), em que na década de 1930, seu bando passou a ser procurado por policiais de vários estados do Nordeste, devido aos saques a fazendas e doações forçadas de comerciantes locais. Porém, Lampião justificava suas ações por causa do mandonismo dos coronéis e do abandono do Governo Federal em relação a miséria e a fome que assolava o Nordeste. Mas em 27 de julho de 1938, o Rei do Cangaço e vários cangaceiros do seu bando foram mortos por policiais da volante do tenente João Bezerra, na fazenda de Angico, no interior de Sergipe.

Luiz Gonzaga, de Exu, pernambucano e sertanejo, conhecido como o Rei do Baião, foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira, que utilizou sua musicalidade para sair do anonimato. Logo, cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra(Sertão Nordestino) nas letras e versos das suas musicas ao resto do Brasil, numa época em que a maioria desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Assim como o gênio, Ariano Vilar Suassuna, um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro, formado em Direito, Idealizador do Movimento Armorial e autor de várias obras, deixou bem explícito a pobreza, a fome e a miséria existente na região, em " O Auto da Compadecida", e que também foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste no Brasil.

Por último, independente de partidarismo ou ideais políticos, erros ou acertos, não se pode negar a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva, político, ex-sindicalista e ex-metalúrgico, brasileiro, sertanejo e nordestino! Foi o trigésimo quinto presidente do Brasil, cargo que exerceu de 1º de janeiro de 2003 a 1º de janeiro de 2011. Ou seja, o Brasil possuiu na sua História, um Presidente sertanejo! Porém, José Sarney também é nordestino e foi presidente do Brasil, por que não foi citado? (...)Porque não possui a coragem,  perseverança,  gentileza, audácia, teimosia, SIM a teimosia que só o sertanejo tem!(...) Não tem a fé de acreditar na sua sorte que não vem, na espera que não acontece,  na fome que é companheira, no trabalho que é arduo, na mulher arretada e companheira,  nos filhos que vem, um a um, na chuva escassa, na casa humilde, na morte inevitável(...) Esse é o Nordestino(...) [trecho de Conceiçao Aderaldo, nordestino, pernambucano e sertanejo]. Já, Sarney não possui esses adjetivos, ou seja, não é sertanejo, não é um FORTE! Mas a mídia das metrópoles brasileiras insistem em denegrir a imagem e diminuir os feitos de um sertanejo que foi presidente do Brasil e o mais notável internacionalmente! Entretanto, Lula bateu um recorde histórico de popularidade durante seu mandato, conforme foi medido pelo Datafolha, devido aos programas sociais "Bolsa Família" e "Fome Zero". Programas estes, que fizeram a Organização das Nações Unidas(ONU) reconhecer o Brasil como um país que saiu do mapa da fome. Lula ainda teve um papel de destaque na evolução recente das relações internacionais, incluindo o programa nuclear do Irã e do aquecimento global.
Logo, por mais que as mídias parciais neguem os valores e as culturas, e valorizem apenas, a forma pejorativa de suas formas físicas, os sotaques, os folclores e as comidas típicas, sempre existirá um sertanejo, um cangaceiro, um músico, um dramaturgo, um político, ou seja, um "nordestino" para retificar e ratificar a verdadeira importância da Região Nordeste e suas particularidades na História do Brasil!




domingo, 5 de junho de 2016

Estupro, a herança colonial!!!

A forma com que as mulheres negras, mulatas e indígenas(as negras da terra) eram identificadas como objeto sexual desde que o Brasil era Colônia de Portugal, era uma realidade. Logo, havia uma divisão por estamentos, ou seja, uma pirâmide para hierarquizar as mulheres que existiam na Colônia(Brasil), por exemplo: "mulher branca era para casar, a negra para trabalhar e mulher mulata para f…”. Esta divisão, se tornou um dos ditados que mostrava cruamente a forma com que as mulheres eram classificadas pela sociedade da época. Assim, por existir poucas mulheres europeias na Colônia(Brasil) os homens se relacionavam com as mulheres de cor(negras, mulatas, indígenas etc) de maneira bruta, violenta, pois não era para casar, o que fazia o estupro de meninas escravas uma atividade comum, pois havia a crença de que fazer sexo com uma “negrinha virgem" poderia curar a sífilis.

Segundo a Historiadora Mary del Priore, na obra “História do Amor no Brasil”, o racismo sexual era muito presente na sociedade colonial, em que, os gestos mais diretos, a linguagem mais chula, palavrões e etc, era reservada as negras escravas, libertas ou mulatas; já com as mulheres brancas, os homens se preocupavam em reservar galanteios, carinhos, mimos e palavras amorosas. “Afinal, a misoginia racista(repulsa as mulheres de cor) da sociedade colonial as classificava como mulheres fáceis(putas). Ou seja, alvos naturais de investidas sexuais, com quem se poderiam ir direto ao assunto sem causar melindres(cuidado extremo em não magoar)".

Já o Historiador Ronaldo Vainfas, observa que as mulheres mesmo sendo degredadas, eram muito desejadas ao mesmo tempo, pois as mulheres “de cor” seriam o mesmo que as soldadeiras de Lisboa no imaginário de nossos colonos: mulheres “aptas à fornicação”. Com isso, na ausência de mulheres brancas, fossem para casar ou fornicar, caberia mesmo a elas(mulheres de cor) o papel de meretrizes de ofício ou amantes solteiras em toda a história da colonização no Brasil. Nos séculos seguintes, segundo Ronaldo Vainfas, “a degradação das índias e a sua reificação(perda de autonomia e autoconsciência) como objetos sexuais dos lusos(colonos portugueses), assim como as mulatas, as africanas, as ladinas(adaptadas aos costumes locais) e as caboclas – todas elas foram inferiorizadas por sua condição feminina, racial e servil no imaginário colonial, servindo de exemplo e herança para a continuidade da desvalorização da mulher por parte dos homens que proclamariam a independência do Brasil!

Por conseguinte, a desvalorização, a forma brutal de se tratar as mulheres no Brasil, têm suas raízes na sua formação, quando ainda era Colônia de Portugal! Portanto, este passado machista, racista, colonial e patriarcal, infelizmente mostra que a situação não mudou tanto assim, basta analisar que,  a sociedade atual continua valorizando o legado deixado pelos homens do período colonial, pois na mesma semana em que ocorreu o suposto estupro de uma jovem por 30 homens, e a morte de outra adolescente no Piauí, vítima de estupro, o Ministro da Educação do Governo Temer, parece não se importar com o estupro, uma brutalidade que ocorre com uma mulher a cada três horas nesse país. Caso contrário, o mesmo não receberia o ator Alexandre Frota para discutir o futuro da Educação brasileira, onde este assumiu em rede nacional no programa "Agora é Tarde", hoje extinto, ter estuprado uma mãe de santo! Assim, ao invés de causar ojeriza na plateia, a sua história promoveu risos e aplausos inflamados. Mas o ex-apresentador Rafinha Bastos ao invés de usar a audiência do programa para ridicularizar o estuprador e informar a plateia que em média 50 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil, aquele se juntou a plateia para rir e aplaudir Alexandre Frota(estuprador), deixando bem explícito em rede nacional que estuprar uma mulher é algo permissivo!

Porém, enquanto a população achar a história do Alexandre Frota divertida, julgar a competência de uma mulher por causa do seu gênero, como ocorreu com a Presidente desse país, e esquecer que a mesma, foi vítima de estupros pelos militares que apoiavam a Ditadura, banalizar a morte da jovem piauiense com sensacionalismo midiático, e analisar um ato de crueldade ocorrido com a jovem como uma simples "orgia"! A "desvalorização da mulher" somado ao "machismo" fará a "Cultura do Estupro" algo super presente nas entranhas deste país!


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